Sao Paulo : l’étrange omission télévisée de la cérémonie d’ouverture de la coupe du monde de football

Cérémonie d'ouverture à Itaquerao, Sao Paulo / ReutersUn jeune enfant Blanc, une jeune fille Noire et un jeune garçon Indien sont entrés côte à côte sur le terrain du stade de Sao Paulo pour la cérémonie d’ouverture de la Coupe du monde, jeudi en fin d’après-midi. Ensemble, ils ont lâché une colombe blanche au milieu du rond central devant les centaines de caméras de télévision. Les joueurs brésiliens et croates applaudissent la scène. Le coup d’envoi est prévu dans quelques secondes.

Les trois jeunes messagers de la paix reviennent alors sur leur pas. Au moment de quitter le terrain, le jeune Indien met la main dans sa poche et sort une banderole rouge sur laquelle est écrit « demarcação » (démarcation, en français). L’image est forte mais elle n’est pas diffusée. Ce geste de protestation ne sera pas retransmis aux télévisions du monde entier.

Cérémonie d'ouverture Itaquerao à Sao Paulo 2 / ReutersEtrange omission. La petite banderole du jeune Indien de 13 ans est un appel au gouvernement fédéral de Brasilia pour qu’il poursuive et consolide la démarcation des terres indiennes au Brésil. Une lutte ancestrale qui connait ces dernières années une mobilisation toujours un peu plus importante en raison d’une intensification des procédures visant à réduire ou à affaiblir les droits constitutionnels des Indiens. Dans les Etats, les conflits fonciers et les expulsions de terres « réoccupées » par les Indiens, comme dans le Mato Grosso do Sul, s’enveniment (ici). Des centaines de procès sur la délimitation des territoires se multiplient et paralysent le processus de démarcation de 90 % des terres indigènes.

Cérémonie d'ouverture à Sao Paulo Itaquerao / Commission Guarabi YvyrupaLe jeune Indien habite dans le village – aldeia –  Krukutu, dans la région de Parelheiros, à l’extrême sud de la mégapole pauliste. Cette communauté vit dans des conditions précaires. Elle attend une décision du ministère de la justice pour obtenir un terrain plus grand.

Interrogé par l’hebdomadaire Carta Capital (ici), le cacique de l’aldeia Fabio Jekupé a dit ne pas avoir été surpris par cette coupure de l’image : « Ils ne veulent pas voir ce genre de chose, ils veulent uniquement montrer la paix entre les peuples pour dire à quel point tout va bien, mais la réalité n’est pas celle-là. » A ce jour, les organisateurs de la cérémonie d’ouverture n’ont pas réagi à la divulgation des photos du jeune Indien à la banderole rouge.

Nicolas Bourcier

Copa do Mundo

Indígena estende faixa por demarcação na abertura da Copa

Imagem foi ignorada pela transmissão de tevê. Ação foi pensada há cerca de um mês, quando guaranis foram convidados à abertura

por Piero Locatelli — publicado 13/06/2014 14:26, última modificação 13/06/2014 18:06

Luiz Pires/Comissão Guarani Yvyrupa

coupe du monde 2014

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Uma criança branca, uma negra e um índio com um cocar entraram juntos na abertura da Copa do Mundo nesta quinta-feira 12. As imagens da televisão mostraram as crianças soltando uma pomba branca minutos antes do início da partida entre Brasil e Croácia. As emissoras omitiram, porém, a imagem do indígena abrindo logo em seguida uma faixa onde estava escrito “demarcação”.

A faixa do jovem de 13 anos lembrava a demora do governo federal para demarcar novas terras indígenas no Brasil. O garoto vive na aldeia Krukutu, na região de Parelheiros, no extremo sul da cidade de São Paulo. No local, os índios moram em situação precária enquanto aguardam a assinatura da demarcação pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para que possam ter acesso a uma terra maior. Em uma terra maior, dizem os índios, poderiam retomar seu modo de vida tradicional.

O ato foi pensado há cerca de um mês, quando os organizadores da Copa buscaram os guaranis da cidade para convidá-los a fazer parte da abertura. O convite chegou em meio a uma campanha realizada em todo o Brasil pela demarcação de terras, e os indígenas resolveram aproveitar a oportunidade para mostrarem sua reivindicação.

“Naquele momento, aceitamos o convite e começamos a pensar em fazer alguma coisa na abertura. Nós organizamos que alguém iria entrar com uma faixa escondida, aí falamos para ele: ‘abre a faixa lá e seja o que Deus quiser’ ”, diz Fabio Jekupé, liderança da aldeia indígena.

Fábio conta não ter ficado surpreso com a omissão do ato na televisão. “Eles não querem mostrar isso, querem mostrar só a paz entre os povos para dizer que está tudo bem e está tudo legal, mas a situação aqui não é essa” diz, referindo-se a entrada das três crianças juntas passando uma ideia de paz.

Em meio a uma campanha pela demarcação de terras em todo país, os guaranis dizem que não são contra a Copa. Segundo David Karai, morador da aldeia do Jaraguá em São Paulo, os indígenas não participaram dos atos contra o mundial, mas dizem que o evento foi uma oportunidade para mostrar ao mundo a situação em que vivem. “Os guaranis estão vendo a copa, todos os jogos. Por isso mesmo nós temos que ir pra rua e mostrar que nós estamos vivos, para nós sermos lembrados”.

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